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'Não quero morrer': com ELA, mulher passa 150 dias em UTI enquanto plano de saúde nega home care aprovado pela Justiça

Izabel Peralta está há mais de 150 dias internada em uma UTI em São Paulo com ELA, doença para a qual o cuidado especializado fora do hospital já foi aprovado por peritos judiciais. A Hapvida diz que ela não tem condições de alta. O médico dela diz o contrário.

25/04/2026 às 22h45
Por: Tyninha Live
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'Não quero morrer': com ELA, mulher passa 150 dias em UTI enquanto plano de saúde nega home care aprovado pela Justiça

 

Foram meses tentando entender por que o corpo deixava de responder. No começo, a família achou que era culpa do tênis —Izabel enroscava o pé no chão ao caminhar. Trocaram o tênis. Não resolveu. Depois vieram doze ressonâncias magnéticas, seis eletroneuromiografias — exames que aplicam dolorosos choques elétricos nos músculos — e quase um ano de consultas até que, em 2024, o diagnóstico bateu: Esclerose Lateral Amiotrófica, a ELA.
Hoje, Izabel Peralta Fortunato, a Bela, de 63 anos, está há mais de 150 dias internada em uma UTI em São Paulo. Já não fala. Se comunica por um dispositivo que capta o movimento dos olhos —e é por ele que explicou à reportagem, com palavras precisas, por que ainda quer viver.
"Não quero morrer. Ainda preciso brincar com meu neto Gael. Ficar mais um pouco com o meu amor. Ver minha filha Munique se casar com o Lucas. Ver minha filha Natália ser muito feliz com seu marido. Estou à espera da cura, se Deus quiser."

Enquanto isso, a família trava, na Justiça, uma batalha para garantir o tratamento que os médicos indicam e uma perícia judicial já respaldou. Do outro lado, a operadora Hapvida alega que Bela não tem condições clínicas de deixar o hospital.
Uma doença que desliga o corpo, neurônio por neurônio
A ELA é uma condição neurodegenerativa que compromete os neurônios motores — células responsáveis por transmitir ao músculo os comandos do cérebro. À medida que essas células morrem, o corpo perde, de forma progressiva e irreversível, a capacidade de se mover.
Segundo Marco Aurélio Troccoli Chieia, coordenador do Departamento de Doenças do Neurônio Motor da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e presidente da Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica (AbrELA), o neurônio motor é o maior neurônio do corpo humano —e o organismo tem quase um bilhão deles. Quando cerca de 25% a 30% desse contingente está comprometido, os primeiros sintomas surgem.
Os sinais iniciais costumam ser sutis e facilmente confundidos com outras condições: dificuldade para caminhar, fraqueza numa mão, alteração na voz. No caso de Bela, tudo começou com uma perna que ficava bamba. A família levou quase um ano, e dezenas de exames, para chegar ao diagnóstico definitivo.
Não há cura. O tratamento é voltado a desacelerar a progressão e preservar as funções vitais pelo maior tempo possível.

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